Pesquisas técnicas viabilizam produção agrícola em solos arenosos de MT

O bioma do Cerrado, que ocupa quase 40% do território de Mato Grosso, é composto majoritariamente por solos de textura arenosa e baixa retenção de água, características que impõem desafios à atividade agrícola e, em alguns casos, levam produtores a desistirem da exploração dessas áreas. Diante desse cenário, pesquisas e experimentos desenvolvidos há cerca de dez anos pelo Centro Tecnológico Aprosoja MT Parecis vêm estudando métodos de correção, adubação e manejo em solos arenosos. Os estudos de longa duração, que somam entre 35 e 40 experimentos por ano, já apontam ganhos expressivos em produtividade, melhoria da fertilidade e avanços na conservação do solo, especialmente com o uso de plantas de cobertura e a diversificação de culturas.

Bruno Lopes/Aprosoja MT

A estação de pesquisa localizada em Campo Novo do Parecis (402 km de Cuiabá) trabalha com solos de textura média e arenosa.
“O que é isso? O solo é composto por partículas: ele tem a parte mineral, que é o solo propriamente dito, a parte orgânica, que é a matéria orgânica e a águ -, quando chove, o solo é abastecido de água, essa é a composição do solo. A parte mineral desse solo tem diferentes tamanhos de partículas, então as partículas mais grossas, acima de 2,5 milímetros são as areias, depois a gente tem o silte, que é intermediário e tem a argila, que são partículas bem finas. Essa disposição da porcentagem que eu vou ter de cada uma dessas partículas é que vai me dizer se o solo é de textura média ou arenosa”, contextualiza a pesquisadora. 

Thalita Queiroz/Rdnews

Daniela, que é especialista em ciências do solo e com mestrado e doutorado na linha de pesquisa de sistemas de produção, explica também as problemáticas de se trabalhar com investimentos voltados a solos arenosos e como conhecê-los e saber como adaptá-los para uma produção é necessário.
A pesquisadora exemplifica, em números, a porcentagem da tipologia do solo presente no centro de pesquisa e propõe maneiras de se trabalhar. 
“Aqui a gente tem solos arenosos, que quer dizer que temos menos de 15% de argila, ou seja, o restante dessa composição são partículas mais grosseiras. Essas partículas vão fazer com que o solo tenha uma menor agregação. Eles vão ser mais suscetíveis à erosão, [e ter] menor capacidade de armazenamento da água. Então eu vou ser mais suscetível a estresse hídrico nesse solo e eu vou ser mais pobre em nutrientes, porque eles não têm partículas que vão reter os nutrientes. É por isso que a Aprosoja já faz pesquisas nesses solos, porque eles são problemáticos e hoje a gente tem uma porcentagem considerável dessas áreas sendo agricultadas no Mato Grosso”, afirma a Daniela.

Aprosoja MT

“É por isso que a Aprosoja já faz pesquisas nesses solos, porque eles são problemáticos e hoje a gente tem uma porcentagem considerável dessas áreas sendo agricultadas no Mato Grosso.”
Daniela Facco, engenheira agrônoma e pesquisadora.
Com cerca de 86 hectares, o Ctecno Parecis segue realizando o manejo dessas áreas durante os últimos dez anos, pois, como ressalta Daniela, é apenas estudando, tanto o solo quanto o que é plantado nele a forma de se fazê-lo, a longo prazo que se tem uma noção real dos ganhos sobre o que é feito.
A pesquisadora complementa dizendo que por diversas vezes, produtores desistem de trabalhar em determinados solos ou espécies de manejo por não verem respostas significativas em pouco tempo. A engenheira agrônoma reforça que o trabalho do centro de pesquisa cumpre um papel justamente para com o produtor: o de informar e assegurar que o manejo realizado pode e vai dar retornos positivos a ele. 
Durante a visita, Daniela comenta que, apesar de o centro de pesquisa tratar dos solos arenosos com certa proximidade de solos como silte e argila, as características são completamente diferentes, o que possibilita aos pesquisadores direcionar os produtores para como e o que deve ser plantado em determinados locais. A pesquisadora explica também que, por serem “pobres”, a correção desses solos é de extrema necessidade, haja vista que o objetivo seja produções em grande escala. 

Bruno Lopes/Aprosoja MT

“A correção dele é feita por meio de calcário, isso vai fazer com que a gente dê uma condição química melhor para esse solo. Além disso, precisamos fertilizar, colocar os nutrientes necessários. Então vêm fósforo, potássio e enxofre. Tudo isso temos em ensaios com doses, com modos de aplicação, fontes diferentes. A gente tem as avaliações desde a correção do solo até essa parte de manutenção das culturas com adubação”, elucida a pesquisadora. 

Bruno Lopes/Aprosoja MT

Entre os resultados importantes dos dez anos de pesquisas conduzidas no Ctecno Parecis, está o aumento da produtividade com a melhora biológica do solo, a partir da preservação, da diversidade de culturas plantadas e do aporte de nitrogênio, tudo isso sendo realizado por plantas de cobertura e já não mais por fertilizantes.  INOVAÇÃO NO CAMPO Pesquisas técnicas viabilizam produção agrícola em solos arenosos de MT Estudos técnicos viabilizam produção agrícola em solos arenosos de MT Com mais de 80 hectares, o CTecno Parecis integra uma série de iniciativas independentes da Aprosoja com foco em auxiliar o mercado da produção agrícola

Fonte: RD News

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